quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Síntese - A Ciência como Atividade Humana (Ciência e Tecnologia - Kneller)

Um tema muito comum nas discussões atuais sobre ensino é principalmente com relação a utilização de TICs em sala de aula, e antes de tudo isso se tornar um tema comum, a utilização de tecnologias já foi e ainda é um assunto tanto quanto delicado de se tratar, e por isso há a grande importância de temas como este.

Atitudes Frente à Tecnologia

Há pensamentos bem fundamentados sobre tecnologia.

O primeiro, e o mais antigo de todos considera a tecnologia como um mal implacável, isto é, não há como parar o desenvolvimento tecnológico e muito menos os bens produzidos pelo avanço das tecnologias. Tudo se iniciou a partir de duas inovações tecnológicas fundamentas, que é o uso de fogo para cozinhar e de peles de animais para se vestir, e de acordo com esse ponto de vista, quanto mais o homem avança tecnologicamente, mais ele se corrompe.

O segundo ponto de vista é o de Francis Bacon, que diz que só através da tecnologia o homem pode recuperar a felicidade e a soberania sobre a natureza que ele possuía antes. A ideia de Bacon era de que através do avanço continuo da Ciência e Tecnologia, haveria a harmonização com a crença cristã de que Deus criou a natureza para ser utilizada pelo homem. A maioria das pessoas acreditava ser um dever do homem transformar a natureza para seu próprio bem, e que a tecnologia era o meio para conseguir isso.

Outro tipo de vista é o pessimista, que sustenta que o homem tinha absorvido tão profundamente a tecnologia que acabara sendo espiritualmente e fisicamente dominado por ela, um exemplo foi dado na história de Frankenstein onde expressava o medo de que a tecnologia pudesse destruir seus criadores. De modo geral, este tipo de pensamento (pessimista) supervaloriza a natureza e desvaloriza o homem.

A conduta mais sensata seria aumentar nossos conhecimentos de modo que possamos prever melhor as consequências de nossas ações. Não dominamos nem podemos dominar a natureza; o máximo que podemos esperar é realizar alguma medição de controle, para estudar a natureza e cooperar com ela.

De fato, as consequências da inovação tecnológica são quase sempre mais complicadas do que os inovadores esperam, por isso, os moderados estão certos quando dizem que não podemos colher os benefícios da tecnologia sem correr alguns riscos e que ao invés de abandonar a tecnologia para eliminar os riscos, devemos conservá-las e trabalhar para reduzir os riscos.

Enfrentando as Consequências

Inovações bem-intencionadas podem acarretar consequências diversas e para contornar esses efeitos, em primeiro lugar, devemos reconhecer que alguns desses efeitos são mais sociais e políticos do que tecnológicos.

Devemos agir no sentido de prever, controlar ou prevenir as consequências da tecnologia antes que elas ocorram e, se necessário, ameniza-las caso tenham ocorrido. Uma forma importante de ação é a avaliação da tecnologia ou a avaliação dos efeitos (benefícios e malefícios) da inovação tecnológica.

Se quisermos que sejam tomadas decisões políticas esclarecidas que envolvam interesses poderosos, é necessário que exista uma oportunidade de se ouvir com imparcialidade as partes envolvidas (defensores e “opressores”) e o público deve ter acesso às informações. Vale ressaltar que enquanto as questões técnicas são melhor respondidas por especialistas, todas as pessoas têm um igual direito a serem ouvidas sobre questões políticas da aplicação de tal tecnologia.

Na pratica, a distinção entre questões técnicas e políticas é frequentemente ignorada pois na grande maioria das vezes, os especialistas que assessoram congressos e comissões procuram influenciar a decisão política também. Além de tudo, em certos casos, o parecer especializado é tão técnico, que os que tomam decisões políticas não compreendem as ideias, com isso, não conseguem contrapor opiniões e dificilmente opinam contra os especialistas.

Vale ressaltar que os problemas sociais criados pela tecnologia só podem ser politicamente resolvidos e não podemos confiar na consciência individual, um exemplo disso é que sabemos que veículos poluem, mas dificilmente as pessoas abrem mão da utilização deste meio. Se quisermos que a tecnologia se usada criativamente para o benefício da humanidade como um todo, precisaremos de um público esclarecido e apto a avalia-lo imparcialmente, algo que não temos atualmente.

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